quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ontem foi um dia extremamente stressante, acusei todos os medos, as angustias, tudo aquilo que me atormenta. Não sei bem o que é que me deu, mas de repente vi-me triste e só, apenas pensava nas próximas semanas que aí vêm e o que me espera, também o facto de estar desamparada novamente me deixou à beira daquela tristeza e solidão que andava escondida há já algum tempo. Hoje, na verdade, já me sinto de forma diferente, continuo a ter medo do que aí vem, mas estou mais serena.
Para falar a verdade, às vezes acontecem coisas um pouco estranhas comigo, não sei o que há realmente porque ora me sinto bem, mais pronta para enfrentar o dia que aí vem, ora descambo e só me dá para querer chorar e abandonar tudo, simplesmente desistir e não voltar para este lugar que não onde eu pertenço. Estou só, é verdade. Mas a vida é mesmo assim, umas vezesmais solitária, outras mais acompanhada. Enfim, há que suportar cada situação a seu tempo e com a alegria que é suposto existir em cada dia que passa!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Hoje é o dia dele... Não pensei nisso o dia inteiro, mas agora, ao bater da noite, e com a lembrança de que outro amigo também faz anos, a lembrança surgiu e com ela a nostalgia, as saudades de outros tempos... Saudades das conversas e dos sorrisos que trocávamos, dos momentos em que estávamos juntos, embora tivessem sido poucos. Foram os suficientes para me render e deixar-me cair nessa teia que me envolve até hoje, mesmo com a distância, com a falta de comunicação, com tudo isso que já não existe há um longo tempo, tempo esse que, ainda assim, não me fez perder a esperança de que um dia ainda nos vamos sentar e conversar sobre tudo aquilo que se passou entre nós, e também aquilo que não se passou, o porquê deste distanciamento, sem qualquer explicação, apenas uma conversa sem sentido!
Bem, agora mudando um pouco de assunto, está quase na altura de se iniciar um novo estágio, desta vez na Unidade de Cuidados Continuados. Sei que já tive uma experiência, embora não a tenha levado até ao fim, mas estou mais nervosa do que no primeiro, meio ansiosa até. Tenho medo do que me espera e, depois de saber de grandes injustiças à nossa volta, esse receio aumenta, pois a possibilidade de ser prejudicada está iminente.
Mas medos e angustias à parte, há que trabalhar e, agora que tenho a certeza que é isto que realmente quero fazer no futuro, só tenho que me empenhar e trabalhar. Tal como diz o Ricardo, Deus não é o único a dar uma mãozinha, se não for o nosso trabalho, nada será conseguido.
Quero acreditar que sou tão capaz como qualquer outra pessoa que está aqui comigo, a passar por todas estas experiências, tal como eu, afinal estamos todos no mesmo barco e, se remarmos todos para o mesmo lado, decerto a tarefa será bem mais fácil!
Por agora é tudo... Espero voltar em breve, mas sem esta tristeza momentânea que às vezes se apodera de mim, sem sequer pedir licença.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ena à quanto tempo que já cá não escrevo... E não posso dizer que tenha sido por falta de tempo,, pois esse tem sido de sobre nestes últimos tempos, se bem que esta pausa forçada esteja no fim.
Só posso dizer FINALMENTE. Isto de estar em casa não é para mim, é demasiado tempo sem qualquer ocupação, a não ser uma coisita aqui e outra acolá. Gosto de estar ocupada e mesmo muito ocupada é quando me sinto bem comigo, sinto-me util. Mas isto também tem o seu lado menos bom, ou seja, significa que vou ter que ir embora da minha casinha, que eu prezo tanto. Pois bem, cá está a velha história de que só em casa é que me sinto bem, mas é a verdade e não sei se algum dia me vou conseguir habituar a esta correria entre cá e lá, se vou se fico... Enfim, o que tem de ser tem de ser e não posso desapontar ninguém, nem a mim mesma, pois é aquilo que quero, que desejo intensamente.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sinto-me mal, tenho andado triste comigo mesma porque me descuidei comigo mesma... Deixei-me levar, como se costuma dizer, ao sabor do vento e agora estou zangada com essa situação.
Enfim... Eu estou decidida a contornar essa situação e preciso mesmo de fazê-lo para o meu próprio bem e algo que só de mim depende e mais ninguém me pode ajudar, a não ser umas contribuições que são sempre importantes aqui em casa e agora tenho a certeza que esse apoio vai estar patente. Assim o espero e espero que a força de vontade seja a suficiente para levar este objectivo avante!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Estou a precisar de um incentivo... Estou a desmoronar outra vez. Os amigos de há muito estão a reclamar atenção e a verdade é que têm toda a razão para o fazer porque eu fecho-me tanto no meu canto que praticamente apenas comunico com aqueles que estão presentes no meu dia-a-dia, quer em casa, ou na Universidade. Os outros não os vejo há meses porque fui para longe e quase nunca saio, quando venho a casa ao fim de semana, fico em casa com a mãe e a avó.
Porém, sinto imensa falta deles e custa me imenso a ausência de estar com eles, de falar com eles. Sinto que preciso de investir mais, cultivar mais a nossa amizade. Estou a precisar de dar mais de mim, do meu tempo aos meus amigos que merecem tudo. E eu também mereço esse tempo com eles, que é tão importante para restabelecer as forças que estão a falhar nesta altura...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Quando pensava que tudo estava prestes a melhorar e eu ia sentir-me melhor para seguir o rumo que escolhi, eis que surge uma nova reviravolta no meu percurso e, mais uma vez, fico presa numa encruzilhada. Bem, se calhar desta vez não será bem assim porque estou consciente das minhas capacidades e saber que não cometi erro algum, apenas tive a infelicidade de ficar doente.
Então é assim, passei "duas semanas", entre aspas porque a greve dos enfermeiros nos atrasou toda a situação, e só lá estivemos uma semana e meia. Elas foram muito gratificantes e aprendi muito, quer com a minha enfermeira coordenadora, quer com os doentes que me calhavam, isto porque todos eles tinham lições de vida e, no mais pequeno gesto, demonstravam-no. Em particular, houve uma situação que me deixou totalmente sem palavras, indefesa e sem saber o que pensar, a verdade é que fiquei de coração derretido. Isto porque naquele dia achava que as coisas não me estavam a sair bem, estava ali o doente numa situação um tanto ou quanto desagradável e eu, na pressa de querer proporcionar-lhe o conforto devido, deixei toda a minha insegurança vir à tona e fiquei nervosa porque, e já diz o velho ditado, depressa e bem não há quem, mas era mesmo a aflição de perceber que o doente estava mal, e então deu-me para chorar ali mesmo, enquanto agarrava nele para que a minha colega continuasse o trabalho.
Eu fiz um comentário para ela, "Estou com uma vontade de chorar..." e o doente que tinha a mão dele sobre a minha para se segurar, fez-me uma carícia. Foi um gesto ternurento que me encheu a alma e o que é certo é que o dia começou a correr melhor a partir daí, senti-me com vontade e com forças para dar o conforto merecido àquele doente. Nesse dia até fiz uma avaliação e acho que não poderia ter corrido melhor do que correu.
É por gestos como este que não me vou deixar abater por aquilo que está a acontecer esta semana, a derradeira semana do Estágio. É que, já na semana passada andava meia adoentada, mas este fim de semana tudo se agravou, fui a todos os médicos, quer do Centro de Saúde, quer do Hospital, mas as tonturas que ainda hoje continuam, teimaram em desaparecer. No Domingo tive que ir embora para baixo, mas não me sentia com força nem para a viagem, e muito menos para prestar cuidados a outras pessoas.
Na Segunda-feira mostrei à minha Enfermeira a carta que levava daqui, caso ainda não me sentisse bem e ela viu o meu estado, que mal me segurava em pé e levou-me às urgências. Lá fiz alguns exames e depois de me dizerem que tinha uma infecção viral no ouvido interno, mandaram-me para casa de atestado durante dez dias. E aqui estou eu, em casa, sem grandes melhoras e com a certeza que este semestre foi por água abaixo, pois chumbei a Ensino Clínico (Estágio), devido às faltas, pois o período deste foi muito curto e, como tal, não tinha outra hipótese de retomar quando me sentisse melhor.
Pois bem, fico triste com isto, pois não foi nada fácil o meu percurso, neste semestre, para chegar ao final, até ao Estágio, senti-me muito sozinha e foi complicado adaptar-me a estar ali, tão longe de casa. Agora, no final, acontece isto... Mas a minha mãe diz-me que não tive culpa e se não fizer em quatro, faço em cinco e, de facto, ela tem razão, eu tive culpa de ficar assim doente e tenho consciência que se lá ficasse, não ia ser capaz de estar a cuidar de alguém, quando precisava e ainda preciso, pois ainda ando muito tonta e andar por aí de pé não é pêra doce, que cuidassem de mim. Não era justo estar ao pé de uma pessoa que necessitasse de atenção e eu não estar em totais condições de lha dar...
Agora resta-me aguardar estes seis meses para pensar em tudo, organizar algumas coisas e, quem sabe, arranjar um trabalho temporário, para ganhar algum dinheiro, sem estar a dar só despesas à minha mãe.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Hoje conheci o Hospital onde vou passar os dias das próximas três semanas e meia. Para primeira impressão, gostei bastante do local. No entanto, a nossa primeira visita foi às urgências, onde estavam várias pessoas em sofrimento e, uma delas, fez-me lembrar o meu avô, tal e qual quando ele estava numa situação muito complicada e isso deixou-me triste.
Triste porque pensei naquilo que ele sofreu com a doença que teve e passou por momentos muito complicados.
Enfim... parece que a minha experiência enquanto assistência a uma doença oncológica não vai mais ser esquecida, ainda por cima porque aconteceu com uma pessoa que eu amava, e amo, tanto. E enquanto estiver perante situações destas vou sempre lembrar-me do sofrimento e da tristeza que foi...